Tem tapioca, feijão preto… mas e o orkut?

Carioca Travelando checking in…

Se você me acompanha pelo Facebook, Instagram, Twitter, sabe que antes de morar no Qatar, já chamei de lar os Emirados Árabes e a conservadora Arábia Saudita. E antes de mudar para a dita “Nova York do Oriente Médio”, algumas pessoas me falavam: “olha, ouvi dizer que o Orkut (lembra dele?), não funciona em Dubai. Você sabe disso? Como vamos nos falar agora, Carlinha? Como vou saber notícias de você, da sua barrigona e depois dos molequinhos?” E na época, eu pensava comigo: “Isso não pode ser verdade. Como assim o Orkut não funciona em Dubai?”

Ostentando o abdômen sarado em Dubai - 24 semanas

Ostentando o meu abdômen sarado em Dubai, “one-pack” – 24 semanas

Chegando nos Emirados Árabes, depois de 14 horas de vôo, a primeira coisa que eu fiz (depois de comer e tirar uma sonequinha – coisas de grávida), foi checar o Orkut. Queria avisar aos familiares e amigos que tínhamos feito boa viagem e que estava tudo bem com a gente (comigo e com minha barrigona de 6 meses de gêmeos). E para a minha surpresa (tcharããã), não é que Orkut estava bloqueado mesmo? Gente, que decepção. Meu mundo caiu. Todas as vezes que eu via aquela bonequinha fofinha na tela do computador, eu ficava P. da vida. Como assim? Acesso negado? Onde já se viu?!

A bonequinha é fofa (repara no cafezinho), mas quando ela aparecia...

A bonequinha é fofa (repara no cafezinho), mas quando ela aparecia…

Na época, recorri para o e-mail e telefone para falar com a família – meios esses permitidos em toda a região. Depois do nascimento dos meninos, e sozinha cuidando deles em Dubai, eu mal tinha tempo pra dormir, quanto mais pra entrar na internet. No final de 2010 o Facebook ficou mais popular e acabei aderindo a rede que (para a nossa alegria), não é bloqueada no Oriente Médio. O Orkut foi perdendo a preferência e acabou falecendo anos depois, sendo substituído mundialmente pelo hoje queridinho Facebook.

Depois de alguns anos em Dubai era hora de levantar acampamento de novo e desbravar a misteriosa Arábia Saudita. Quantas coisas passam pela cabeça das pessoas ao ouvir o nome desse país, né? Antes de morar em Saudi, eu já ouvia de muitos sobre as restrições do país, e imaginei que lá também muitos sites seriam proibidos. Chegando nas Arábias, não deu outra: Facebook liberado, mas bloqueio de alguns websites.

Sorry!

Página bloqueada na Arábia Saudita… Sorry!

Sendo a Arábia Saudita um país com tantas restrições (por exemplo, lá mulher não pode dirigir, não pode andar na rua com a roupa que quiser, não tem acesso a cinema, teatros… não pode beber álcool, não pode comer porco… a lista é longa), a verdade é que era difícil ficar sem as maravilhas da internet para se divertir nas horas vagas. Eu sou cinéfila assumidíssima, além de ser apaixonada por documentários e séries de TV (acabei adquirindo o hábito quando ainda morava nos Estados Unidos). Quando saímos dos EUA, tínhamos assinado a Netflix, que na época ainda entregava os DVDs em casa – quem morou nos EUA nessa época vai lembrar. Chegando na Arábia Saudita, fomos direto conectar o Netflix, só que o programa (adivinha?), não funcionava de jeito nenhum nas Arábias. E assim como a maior parte dos expatriados que vivem em Saudi, nos também apelamos para o obscuro, porém feliz, mundo do VPN.

Explicando bem rapidinho pra quem não conhece: o VPN é um programinha que permite que o seu computador “se esconda”. Você escolhe a região do mundo que quer conectá-lo, e ele fica com o IP (endereço), da parte do globo que você escolhe, mesmo estando, no nosso caso, na Arábia Saudita. O programa que usamos era pago, e foi através do nosso Santo VPN, que conseguimos ressuscitar a Netflix e ao fiel escudeiro, a Apple TV. A partir de então, nós conseguíamos assistir filmes e séries de TV, e não ficava desatualizada em absolutamente nada. Tinha tapioca, feijão preto e Netflix. Quer mais o que? Estávamos felizes da vida nas Arábias.

OOPS! Bloqueio no Qatar

OOPS! Essa é a tela que aparece quando uma página é bloqueada no Qatar

A pouco tempo a Netflix anunciou que vai ser acessível em diversos países do globo, incluindo os Emirados Árabes e Qatar. Muitos amigos que vivem na região, e não tem VPN, estão rindo à toa. Também pudera, eles vão finalmente ter acesso as maravilhas ilimitadas como Netflix, HBO Now e Amazon Prime. Mas peraí, “ilimitadas”? Eu fico pensando se essa abertura não vai trazer consigo restrições de conteúdo. Afinal, tá muito bom pra ser verdade, né? Por exemplo, vamos falar de Game of Thrones (que passa na HBO Now) e Homeland (Showtime). Esses dois seriados que eu ADORO, tem muitas cenas de violência, e muitas cenas, digamos, bem picantes. E esses são alguns dos tópicos considerados pelos países do Oriente Médio, na hora de fazer o bloqueio de um determinado website. Por exemplo o famoso Paparazzo, e até mesmo algumas matérias da Globo.com, são bloqueadas por aqui, por terem seu conteúdo considerado “inapropriado”.

Nananinanão... bloqueio em Bahrain

Nananinanão… bloqueio em Bahrain

O mesmo acontece nos cinemas da região. Essa semana fiquei sabendo que o filme “A garota dinamarquesa” (The Danish Girl, em inglês), que tem estréia prevista no Brasil para fevereiro de 2016, acabou de ser banido no Qatar. O filme chegou a passar nas telonas na capital Doha, mas foi proibido depois de muitas denúncias sobre o seu conteúdo inapropriado, chegarem até o Ministério da Cultura do país.

Em Dubai, sempre íamos ao cinema assistir diversos filmes. De repente quando uma cena esquentava um pouco mais, éramos surpreendidos com um corte repentino, sem nenhuma cerimônia. A gente ficava se perguntando: “HEIN?”. Um exemplo famoso aconteceu com o filme The Wolf of Wall Street (O Lobo de Wall Street, em português). Amigos nossos que assistiram ao filme em Dubai, disseram que não entendiam nada. O filme não foi banido  completamente nos cinemas por lá, mas teve diversas cenas cortadas e muitas falas com aquele “biiiiip” por cima. Na época, foi uma onda de ligar o VPN para assistir a versão completa do filme, na íntegra e sem cortes. Já o filme “Black Swan” (Cisne Negro em português), ganhador de vários prêmios, incluindo Oscar e Globo de Ouro, foi banido nos cinemas dos Emirados Árabes Unidos.

Black Swaw

Dois filmes banidos nos Emirados por conteúdo inapropriado – será?

Graças à tecnologia atual, os expatriados e locais (por que não?), recorrem ao VPN para ter acesso ao que é considerado impróprio. Mas, não se engane: censura na internet não é característica apenas dos países do Oriente Médio. Nações como China, Rússia e Índia por exemplo, também controlam o que a população deve ou não acessar.

E aí, qual a sua opinião sobre esse assunto? Você também precisa ou conhece alguém que usa o VPN aonde mora?

Carioca Travelando checking out…

By Carla F.

Fotos By Carla F. & Vidal Ferreira Photography

Comments

  1. says

    Confesso que quando li o título da matéria pensei que era um artigo mais atual em que ia comentar sobre a HELLO, a nova rede social do orkut, só depois vi que o artigo era mais antigo, mas acabou me prendendo pelo assunto interessante.

    É por estas coisas e outros motivos que não tenho o menor interesse de ir visitar países do oriente médio, infelizmente..

  2. Sueli says

    Oi Carla!

    Gostaria de saber mais sobre este VPN, pois em Jubail é tudo controlado!

    Abraço
    Sueli

  3. says

    Nossa Carlinha ter conteúdo bloqueado ninguém merece, né? Com certeza ir ao cinema deve ser péssimo, pois o conteúdo é cortado. Eu acho que ficaria bem chateada. Mas ainda bem que existe o VPN :-). Muito bom o texto. Beijos

  4. Alcenira says

    Legal, Carla! Então liberado VPN em Doha? E tb na Arabia Saudita? Gostei! Desde a China usando, a gente acaba se acostumando

  5. Jacira Normand says

    Ótimo post, Carla! Também fico pé da vida quando o conteúdo está bloqueado. E nessa semana que descobri que também fazem isso com algumas matérias do globo.com, assim como citou acima. Impressionante!!

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