E a crise, chegou nas Arábias?

Carioca Travelando checking in…

Eu sei que dói dizer isso, mas é sabido que o Brasil hoje vive uma das piores crises da história do nosso país. Especialistas dizem que essa é a maior crise desde o período pós industrialização. O PIB só havia recuado por dois anos seguidos assim em 1930. Semanalmente eu recebo notícias de que algum conhecido, parente ou algum amigo que está no Brasil perdeu seu emprego, e não tem perspectivas. Isso é assustador. Sabemos que os níveis de desemprego com essa magnitude, terão consequências relevantes e de longo prazo – e é isso que mais me assusta. Já dizia o poeta Gonzaguinha… “E sem o seu trabalho, o homem não tem honra…” Meus amigos, é uma situação de cortar o coração.

Oil pump jack

Extração do Ouro Negro

Eu sempre recebi muitas mensagens através de brasileiros que sonham com uma oportunidade fora do Brasil, muitos querendo vir para as Arábias. Desde o ano passado posso validar que o número de mensagens se multiplicou exponencialmente. Recebo pedidos não apenas de pessoas que procuram por uma oportunidade e não sabem por onde começar, mas também de pessoas que apesar da crise, já receberam uma oferta, e estão considerando a possibilidade de mudar para o Oriente Médio.

Mas e por aqui, também tem crise? Tem sim, mas os motivos da crise por aqui são diferentes dos motivos que observamos no Brasil. Enquanto em terras tupiniquins a crise tem como causa uma venenosa receita de diversos fatores como: politicas econômicas equivocadas, endividamento familiar, má gestão de recursos públicos, falta de investimentos e claro, a corrupção endêmica e descarada que infelizmente está entranhada na nossa sociedade e por consequência em nossa política. Aqui nas terras dos Sheiks, a história é um pouco diferente.

Por aqui a crise tem como causa direta e majoritária a queda do valor do barril do petróleo. A região que era um vasto deserto quase inabitável há poucas décadas atrás, tem grande parte da sua economia baseada na produção e exportação de petróleo, gás e derivados. Algumas estimativas colocam entre 60-70% do PIB da região vindos do “Ouro Negro”. O petróleo revolucionou, e foi fator principal para o progresso e modernização de toda essa região. Entretanto o aumento da produção mundial dado as novas descobertas, tecnologias, algumas questões geopolíticas e a desaceleração de diversas economias emergentes no mundo, principalmente a da China, que é o segundo maior cliente do que é produzido nessa região, contribuiu para a queda-livre, sem paraquedas do preço do barril – que já chegou a mais de $140 dólares e atualmente (Julho/2016) está abaixo de $50 dólares. Assim, a oferta do petróleo disponível no mercado foi aumentando (ainda mais com a reentrada do Iran no mercado – depois que as sanções ao país foram suspensas), e a demanda foi caindo globalmente. Quando o preço do barril de petróleo estava nas alturas, muitos investimentos foram feitos na indústria – novas áreas de exploração, produção e refino, consequentemente um boom na construção civil dentre outros setores. Com altos investimentos, foram abertas muitas vagas de trabalho o que fez com que muitos expatriados emigrassem para o deserto dourado. Entretanto nos últimos meses, centenas de milhares de barris por dia ficaram estocados, sem compradores e a conta acabou não fechando. Seguindo a lei da oferta e da procura, o preço do barril acabou caindo – chegando fechar abaixo de $27 dólares em janeiro de 2016 (o preço mais baixo desde 2003), causando pânico em todos os países da região.

Oriente Médio

O preço do barril de petróleo, que já chegou a mais de $140 dólares, atualmente (Julho/2016) está abaixo de $50 dólares.

A crise do petróleo que começou a atingir fortemente o Oriente Médio em meados de 2015 e infelizmente segue até os dias de hoje, vem fazendo estragos devastadores globalmente. Em toda a região tema de “demissões em massa” (os chamados layoffs), tem se tornado frequentes nos noticiários e jornais locais. E isso não tem afetado apenas o setor petrolífero. Por exemplo, em março de 2016, a empresa de notícias internacional Al Jazeera anunciou um corte de 500 empregados, e sendo aqui em Doha seu headquaters, a maioria dos cortes foi por aqui mesmo. No início deste ano, a mesma emissora fechou suas operações nos Estados Unidos.

Os arranha-céus da capital do Qatar, Doha

Os arranha-céus da capital do Qatar, Doha

Mas Carla, estamos confusos: no início dessa conversa você comentou que muitos brasileiros, apesar da crise estão recebendo propostas para trabalhar no Oriente Médio? Sim, apesar da crise do petróleo mundial, a produção e o consumo não param – diminuem, mas não param. A região continua precisando de profissionais capacitados e experientes, não apenas no petróleo mas em diversas áreas, e os mais qualificados sempre são os mais requisitados por aqui. Nesses tempos, as empresas aqui contam com o advento destes mesmo profissionais, por serem mais fáceis de atrair dada a situação global da indústria.

Os profissionais mais qualificados sempre são os mais requisitados por aqui

Os profissionais mais qualificados sempre são os mais requisitados por essa região

Estamos vivendo momentos difíceis, importantes e decisivos. Mas precisamos manter o otimismo e agir para passarmos longe da crise. Essa crise, como outras que já tivemos vai passar, e o que vai ficar é o que aprendemos com ela – temos que pensar a longo prazo. Então, fica aqui a minha torcida para que logo tenhamos dias melhores para a economia do Brasil e mundial.

E você? Qual a sua opinião sobre o assunto? Você também vem sentido na pele os efeitos da crise global e brasileira? Tem alguma dica valiosa de como manter o otimismo e usar a crise como uma oportunidade para aprender e crescer? Ao contrário da maioria, você tem vivido momentos de muito sucesso e crescimento profissional?

Compartilha com a gente aqui os seus comentários e perguntas sobre o assunto.

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by Carla F.

Fotos by Carla F. & Pixabay

Comments

  1. Paula Vastos says

    Crise nas Arabias?? Só se for de agua..rs, e olhe lá…Pois já estao tiram o sal da agua do mar… Um lugar desses deveria se precupar mais com sua população.. Mas nao deixa de ser um belo destino turistico.. parabens pela matéria bjos

  2. Carlos says

    Olá, o que temos no Brasil hoje, penso eu, é a crise política, nossa nação é extraordinária e rica, mas infelizmente alguns ideologistas nos conduziu a um mundo obscuro. Em breve estaremos livres dos líderes alienados e retomaremos ao crescimento industrial e comercial. Abraço.

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